Duração média da primeira relação

Eu venci a depressão e é isso que tenho feito desde que me curei! - Parte 2/365

2020.10.09 18:13 TapperTotoro Eu venci a depressão e é isso que tenho feito desde que me curei! - Parte 2/365

Uma espécie de diário aberto: Antes de quase me afogar na 'escuridão', escrevi um livro para o meu primeiro filho; e agora curado, comecei a escrever o segundo livro para o meu segundo Príncipe, dando continuidade à história inicial.
De notar que esse segundo texto é um tanto comprido (1,98 metros de altura do autor se justificam aqui).
Antes de escrever mais para essa série motivada pela minha vitória na luta contra a depressão, quero agradecer à todas as pessoas que partilharam comigo um pouco do seu tempo para ler e comentar, além de todos os "prémios" que a minha primeira publicação recebeu (e continua a receber) e todas as pessoas que também começaram a seguir-me lá no meu humilde canal de Youtube.
Olá (quem leu a primeira publicação dessa "série" entende esse 'olá').
Pois bem; há quase que exatamente 5 anos atrás, quando as coisas ainda não estavam tão más para a minha existência, decidi escrever um livro para o meu primeiro - e possível na altura, único - filho. É para mim a história mais bonita que já escrevi e o primeiro livro infantil também, e a ideia na data era imprimir todas as páginas em folhas A4 em duas duplicatas e fazer eu mesmo as capas para os livros à mão.
- Além de ter escrito o livro, porquê é que não publiquei com uma editora (ainda)?
Bem, além de querer que 100% dos direitos da obra fossem para o meu pequeno Príncipe e não querer que a mesma tenha nenhum vínculo com uma editora, é como já disse, queria fazer somente duas cópias de forma manual e oferecer a primeira (a que considero 'original') para o meu filho (na altura só tinha e queria ter um, mas surgiu o segundo e amo 'pacas' os dois), e a segunda ficaria guardada como cópia física de segurança. A história basicamente é sobre eu e ele, e a nossa imaginação fértil, mas acabei por quase eliminar o manuscrito (juntamente com todos os outros textos meus) quando cheguei ao ponto em que se não tomasse uma decisão, não estaria vivo hoje.
Foi uma questão de mudança de último segundo a existência desse manuscrito e há alguns dias atrás voltei a lê-lo e decidi que além de publicar a história de forma totalmente independente por e para eles (agora os meus Príncipes são dois, lembra?), farei as duas cópias de forma manual como era planeado no início e guardarei para quando ambos forem adultos receberem como prenda de maioridade. Também sou motivado a não fazê-lo agora ou antes da maioridade (os livros físicos e entregar para eles) pelo facto que a minha ex-esposa destruiria os livros se eu entregasse para ela guardá-los (lembra-se da relação afetiva que tive e quase me matou? Pois bem, eu fui casado por 7 anos com ela), visto que ambos os Príncipes são muito novos ainda.
Para colocar em perspetiva: O divórcio e os meses que se seguiram ao divórcio foram um autêntico inferno, com ela a fazer de tudo para me afastar dos Príncipes (mentindo inclusive para a justiça ao dizer que eu abandonei os Príncipes quando na verdade eu não tinha onde morar - e ficou provado isso - não tinha dinheiro tampouco meios de transporte para visitá-los - ou um telemóvel para ligar para eles - e estava há mais de 30 quilómetros da casa deles; com isso e por ter ficado provado que eu não abandonei os Príncipes ela criou outros processos jurídicos absurdos que se arrastam até hoje somente com intuito de tirar mais e mais do que eu tenho conseguido alcançar aos poucos depois de sair da rua ...).
Foi tudo tão difícil pois como já tinha dito, acabei a morar na rua sem nada pelo simples facto de eu não querer dividir os bens que obtivemos durante a duração do nosso casamento ou levar nenhum bem material no final da relação, deixando tudo com ela para os meus filhos, pois mais do que eu, os eles precisam de um lugar para viver e eu sempre me virei muito bem ou sou muito bom a recomeçar a vida do zero. Valeu a pena esse sacrifício? Sim, e muito!
Mas mesmo tendi isso sido um inferno, ainda existe a parte mais difícil e que muitos pais (divorciados ou não) se irão rever, possivelmente:
Desde fevereiro que só falo com os meus dois Príncipes por videochamada por causa de toda essa questão da pandemia (e outros pontos que prefiro não expor por eles, para preservar o futuro da imagem da mãe deles, ou não ser eu influência no moldar dessa imagem caso aconteça) e decidi que mesmo estando as coisas "mais amenas" aqui em Portugal (mas a piorar agora com o espreitar do inverno), só estaria com eles quando for encontrada a cura ou se provar efetiva a obtenção de imunidade à doença; por nada desse mundo quero colocá-los em risco por uma coisa que o meu sacrifício pode evitar, afinal de contas, eles são o que de mais importante tenho nesse mundo todo ...
Voltar a ler o livro que escrevi para, agora eles, (escreverei entre esse e o próximo ano um segundo livro para dar continuidade à história e incluir o meu segundo Príncipe) despertou algumas ideias que já tenho colocado em prática e a partir de amanhã, publicarei uma página do livro por dia (inserirei o link aqui!) como tenho feito com esses textos novos e outras formas de arte que crio. Como não quero ter mais do que duas cópias físicas de cada livro, não tenho a certeza se vendo os e-books e crio uma conta poupança para os Príncipes com o dinheiro da venda das cópias digitais ou se publico somente no site que estou a construir e uso a monetização por meio da publicidade embutida nas páginas para esse fim (esse é o modo mais apelativo para mim, porque assim mais gente tem acesso aos livros e contribuem mesmo que não tenham condições financeiras para comprar um exemplar).
Digam-me o que vocês acham sobre qual é a melhor opção :)
Eis um trecho do livro e a página de abertura de 'O rei e o grande minúsculo', o livro que escrevi para os meus dois filhos:
Eu sou o Narrador e esta é a história sobre um minúsculo rapaz que vive dentro do pequeno universo que existe no meu umbigo. Neste mundo, ninguém possui um nome, apenas características físicas únicas e marcantes.
O rapaz que conheci tem uma particularidade muito semelhante à uma que tenho. Ele é alto, tão alto, que por este motivo não existe qualquer outro rapaz da sua idade com a altura próxima à dele e é inclusive muito mais alto do que todos os adultos deste tal mundo. Se o tornarmos proporcional à altura das pessoas humanas, este rapaz terá três metros enquanto a altura média de todas as pessoas é de um metro e setenta centímetros.
Conheci-o num dia em que estava eu a descansar ao sol, deitado na relva com uma camisola sem mangas, enquanto brincava com o meu microscópio imaginário e despertou em mim a curiosidade de espreitar com aquilo para o meu umbigo. Para a minha total surpresa, a primeira coisa que vi foi um amontoado de cabelos crespos pretos cheios de caracóis que parecia estar preso a um poste azul acastanhado, só que, depois de poucos segundos o poste se mexeu e assustei-me, afinal, os postes não podem andar. Ou podem?
– Olá gigante! – disse uma voz que não conseguia perceber de onde vinha.
– Estou bem aqui. – continuou ela. Levantei-me da relva e olhei à minha volta. Por mais certeza que tivesse sobre ter ouvido aquela voz, tudo apontava para o facto de estar eu sozinho ali. Corri para o muro da minha humilde casa, trepei-o para espreitar às casas dos meus vizinhos casmurros e vi que ninguém se escondia do outro lado.
– Acho que estou a sonhar acordado, novamente. – disse para mim mesmo em voz alta.
– Não gigante, não estás a sonhar. A propósito, porque é que trepaste para cima dos muros se em pé és maior do que eles? – continuou e perguntou aquela voz misteriosa. Corri para dentro da minha casa, tranquei todas as portas e janelas, fui às pressas e assustado para o meu quarto, apaguei as luzes e escondi-me na segurança que existe por baixo dos meus grandes e quentes amontoados de lençóis de seda, mantas polares e cobertores de todas as cores.
Depois disso, não voltei a ouvir aquela voz naquele dia e acabei por adormecer. Sonhei com milhares de coisas maravilhosas, entre elas doces e chocolates pois sou um narrador um tanto guloso; sonhei com os infinitos momentos de diversão com os meus amigos, com o meu pequeno Príncipe e por fim, para não fugir à regra, sonhei que dormia também ...
Espero que quando os meus Príncipes lerem essa história que escrevi em especial para eles, sintam o que queria transmitir nessa altura em que pouco conseguem entender dos sentimentos humanos e para que encontrem nas minhas palavras tornadas ficção, a voz deles que muito me tem ajudado nessa luta e nova fase da minha vida. E que essa voz os ajude nas fases mais difíceis da vida, e relembrem também os momentos mais felizes.
Também espero que você que me lê novamente hoje, goste de tudo o que pretendo partilhar e se que se existir alguém importante para você, use-a como motivação para lutar contra todas as coisas que não fazem bem, e que esses livros que publicarei inspirem alguém a criar e mudar o mundo, mesmo que o mundo seja só para uma pessoa :)
Com muito amor;
Aladino.
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2020.09.28 16:00 Vedovati_Pisos 7 dicas alavancar as vendas da academia em épocas de baixa

O mercado de academias costuma ser conhecido por ser sazonal com duas safras por ano e duas épocas de entressafras. O exato momento do ano que essas safras ocorrem, dependerá muito de qual região do país estamos falando.
Só para citarmos um exemplo, enquanto em cidades como Florianópolis a baixa ocorre em janeiro e fevereiro nesses mesmos meses São Paulo aproveita sua primeira grande safra. As academias paulistas bomba no inicio do ano.
Mas em geral, é importante que os gestores de academias em todo pais tenham em mente que o Brasil possui 2 momentos de pico de visitação. Outros fatores que influenciam
1 – Identifique quais as épocas de alta e baixa em sua academia
O primeiro período de alta consideramos o mais importante. Ele costuma durar entre 3 e 4 meses. O segundo momento de pico é curto com duração média de dois meses. Vale ponderar que em algumas regiões, esse tempo pode durar ate 3 meses e é esse que faz o pior dano na economia da academia.
2 – Compare os resultados e conquiste melhores resultados
As academias devem ser medidas visando o que ocorreu no ano passado e estabelecer as curvas que ocorreram no ano anterior em relação às vendas e saída de clientes.
Através dessa estratégia, os gestores conseguem perceber quais as expectativas dele em relação ao mesmo período do ano anterior ou mesmo se seus esforços estratégicos surtiram efeitos.
3 – Descubra quais as curvas de visitação em sua academia
É primordial que os gestores identifiquem e entendam bem quais são as curvas de visitação. Isso é muito importante porque todas as campanhas que serão criadas e
implantadas, inclusive as sazonais, têm que ser programadas com ate 60 dias de antecedência.
O motivo é preparar o material, realizar parcerias enfim para que as coisas ocorram como realmente devem ocorrer pensando em um planejamento mínimo capaz de eliminar a entressafra no sistema de gestão mais inteligente.
4 – Mude a fachada para chamar a atenção de quem passa
Uma vez identificada quais as épocas de maior baixa em sua academia, você pode aproveitar para realizar uma mudança de fachada, por exemplo, fazendo uma nova pintura.
Uma estratégia simples, mas que poderá chamar a atenção das pessoas, mesmo aquelas que sempre passaram por ali, aumentando suas visitas em 15%.
5 – Mantenha um banco de dados atualizado
Uma situação interessante, que você gestor deve se atentar é que para cada cliente ativo em sua academia outros dez já passaram por ela.
Por essa razão, é importante manter a base de dados bem alimentada.
A cada novo visitante, anote seus dados, principalmente os de contato, para que posteriormente você crie eventos e campanhas para convida-los a usufruir de seus serviços em épocas de baixa procura.
Essa ação é indicada, por exemplo, como uma das estratégias para conquistar clientes que nunca pisaram numa academia.
6 – Conquiste os clientes que já passaram
Recomendamos começar pelas pessoas que deixaram a academia há um ano ou mais, pois quanto antes você coletar seus dados mais precisos e eficientes eles serão para uma futura estratégia de convites. E creia, você ira precisar disso.
Essa pratica deve se tornar parte integrante nas abordagens realizadas por suas recepcionistas. são os dados devido a mudança das pessoas de endereço, telefone etc.
Parte dessas pessoas que você entra em contato podem estar praticando atividades físicas em outro lugar e é legal focar nas que saíram em 1 ano e 2 anos para serem o alvo principal.
Normalmente esse numero é o mesmo do de clientes que você tem durante um ano na academia.
Estatisticamente, se fizer um contato bem feito, com argumentações bem elaboradas e eventos bem elaborados você conseguirá que pelo menos um de cada dez contatos venham para a academia e realizem a matricula.
7 – Convide seus alunos a convidarem seus amigos
Outro tipo de campanha forte e envolvente é fazer com que seus alunos convidem seus amigos para a academia. Porem, no caso de época de baixas, o que deve ser oferecido como incentivo tem que ser mais do que apenas um free pass de 1 a 15 dias.
Junto com os dias livres, pode ser organizado um evento ou encontro, que fale de bem estar ou qualidade de vida. Ofereça também algo concreto, por exemplo, uma avaliação física gratuita e mais 15 dias de academia com acompanhamento especial para definir seus objetivos e torna-los possíveis de alcançar.
O premio nesse caso tem que ser dado para a pessoa que trouxe esse cliente para o evento que seria um cliente vendedor.
A estatística mostra quando isso é muito bem feito você consegue trazer para cada cliente que tem na sua academia pelo menos mais uma venda acontece.
Se somarmos as duas campanhas que atingem públicos diferentes teremos 20% total dessa academia e isso bem feito deveria eliminar a necessidade de você fazer mais coisas embora há diversas possibilidades.
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Nossos pisos para academias trazem beleza, resistência, praticidade e economia. É tudo o que você precisa para a sua academia !

https://www.vedovatipisos.com.bnoticias-artigos/alavancar-as-vendas-da-academia/
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2020.07.25 14:20 evil-twinaway [Sério] Seguro de vida para crédito habitação : Como comparar propostas

Estou agora a passar por o processo de compra de casa com recurso a crédito habitação (CH), e estou a procurar por opções para o seguro de vida associado ao capital em dívida.
Em muitas simulações online apenas aparece um valor único a pagar anualmente. Noutras simulações, aparece uma tabela com estimativas do valor a pagar em cada ano. Nestas últimas, o valor a pagar aumenta ao longo do tempo, eventualmente atingindo uma fase descendente com a diminuição do capital em dívida.
Suspeito que as simulações com valor único mostrem apenas o valor da primeira prestação anual, normalmente mais baixo que o resto das prestações, e não um valor médio ao longo da duração do empréstimo.
Esta obscuridade torna a comparação entre seguros de vida algo difícil.
As minhas dúvidas são:
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2020.07.23 10:31 diplohora Bruno Rezende : meus estudos para o CACD Parte III – A PREPARAÇÃO INTRODUÇÃO pt 8 a 1ra fase do CACD

A prova da primeira fase é inteiramente objetiva, com questões de Certo ou Errado que valem 0,25 pontos cada (com fator de correção, ou seja: uma marcação errada anula uma marcação certa) e com questões de múltipla escolha que valem 1 ponto cada (com penalização de -0,2 pontos por marcação que divirja do gabarito oficial). Se deixar alguma questão em branco, não há penalização.
Em 2011, após dois concursos com 80 questões, a primeira fase voltou a ter 65 questões, divididas em duas etapas: a primeira pela manhã, com duração de 2h30 (com questões de Português, de Política Internacional e de Geografia), e a segunda pela tarde, com duração de 3h30 (com questões de Inglês, de História do Brasil, de História Mundial, de Direito e de Economia). A ordem das matérias nas provas não é pré-determinada (não há previsão, no edital do concurso, de quais provas serão de manhã e de quais serão de tarde, e essa ordem varia de um ano para o outro). Uma inovação do CACD 2011 em relação aos últimos concursos realizados foi a informação, no edital, do número de questões de cada matéria na primeira fase (13 questões de Português, 12 questões de Inglês, 11 questões de Política Internacional, 10 questões de História Mundial, 5 questões de Direito, 5 questões de Economia, 5 questões de História do Brasil e 4 questões de Geografia). Esse número pode ser um indicativo das matérias mais importantes para a primeira fase. Com relação a isso, vale observar algumas coisas:
- Português tem o maior peso na primeira fase, com cobrança tanto de Gramática quanto de interpretação de textos e de Literatura.
- Inglês e Português são consideradas por alguns as matérias mais importantes da primeira fase, tanto por seu elevado peso (quase 40% da prova) quanto por sua cobrança mais rígida (vide provas anteriores).
- A prova de Política Internacional da primeira fase é bastante diferente da prova da terceira fase. Na primeira, há foco tanto na abordagem histórica da política internacional, conforme previsto em edital, quanto em acontecimentos contemporâneos, além de eventuais questões sobre Teoria das Relações Internacionais. Na terceira fase, o cerne das questões muda, cobrando-se, majoritariamente, temáticas mais atuais, com ênfase na política externa brasileira.
- História Mundial tem peso grande na primeira fase, mas não é cobrada nas fases subsequentes do concurso (tudo bem que pode até ser importante entender de História Mundial para estudar Política Internacional, por exemplo, mas é fato que não há mais provas discursivas de História Mundial, como já houve no passado).
O mais importante de fazer provas anteriores da primeira fase o CACD é que você passa a perceber diversas coisas. No meu caso, o que eu percebi foi que:
1) Quando eu chutava questões que não sabia, sempre saía com saldo positivo no final (ainda que errasse algumas coisas do que chutava, acertava muitas questões no chute também). Logo, a decisão que tomei foi: chutar sempre que não souber. Assim, não deixei nenhum item em branco nas questões da primeira fase. Para mim, esse negócio de “só marcar o que sabe” pode ser completamente inútil e prejudicial. J vi muita gente deixando algo como 10 questões inteiras (de quatro itens cada) em branco, o que acho um absurdo. É difícil que a pessoa tenha, de fato, acertado todas as questões que marcou.
📷Assim, as chances de aprovação são mínimas. Acho que a decisão de chutar ou de deixar em branco é extremamente pessoal, e cada um deve perceber o que vale mais a pena à medida que fizer as provas anteriores. Sugiro que faça uma experiência, fazendo duas provas antigas de teste: em uma, você chuta; em outra, você só marca o que sabe. No fim das contas, veja em qual se saiu melhor, analise a nota mínima para aprovação e tire suas próprias conclusões. De todo modo, se você optar por não chutar, recomendo que não entregue a prova com menos de 90% das questões marcadas (em 65 questões, isso corresponde a 58,5). Eu sei que pode ser um número um pouco alto para quem pensava em não chutar, mas pense bem: mesmo quando marcamos com certeza absoluta, acabamos errando alguma coisa. Suponhamos que você erre 10% do total de questões e que a penalização seja de outros 10%. Assim, sua nota final será de 70%, um número bem próximo à média necessária para a aprovação nos últimos concursos. Se você marcar só 80% das questões (52 de 65) e errar os mesmos 10%, ficará com a média final de 60%, insuficiente para a aprovação em qualquer um dos concursos dos últimos anos.
1) Às vezes, a questão não está certa, mas você percebe que o Cespe quer que ela seja certa, apenas por experiência com provas anteriores. É meio difícil explicar isso, mas, depois de muito treino, você percebe que há algumas tendências de prova que se repetem, por isso acho fundamental fazer as provas anteriores quantas vezes puder (fiz duas vezes cada prova de 2003 para cá; até tenho as provas mais antigas, mas acho que as provas de antes de 2003 não valem a pena, pois eram extremamente diferentes).
2) Outras vezes, em questões de múltipla escolha, pode haver mais de uma alternativa possível (ou nenhuma alternativa plenamente correta). Nesse caso, é necessário fazer um juízo instantâneo do que é mais provável que o Cespe considere correto (ou da alternativa que é “menos errada”). Não deixe de marcar uma questão na esperança de que o Cespe irá anulá-la, pois, muitas vezes, isso não acontece. Minha estratégia era: marcar a menos errada (no caso de todas estarem, aparentemente, incorretas) ou a mais simples (no caso de mais de uma parecer correta). Mais uma vez, é apenas um relato do que fiz, cada um deve encontrar sua melhor estratégia nesse sentido, n~o h “receita de bolo”. A única coisa que não pode é não ter estratégia nenhuma e deixar em branco (deixar questão de múltipla escolha em branco não é, em minha opinião, vantajoso, pois a possível perda de 0,2 pontos, em caso de erro, não compensa o possível ganho de 1 ponto para o acerto).
Sobre conteúdo, alguns tópicos que tenho a comentar sobre a primeira fase são:
- Português – os conteúdos mais cobrados são gramática e interpretação de texto (Literatura cai muito raramente, não acho necessário perder muito tempo com isso). Na parte de gramática, atenção para alguns itens mais frequentes, como: uso de sinais de pontuação, orações subordinadas, funç~o das partículas “que” e “se” etc.
- História do Brasil - temas recorrentes e importantes são : formação territorial (delimintação das fronteiras nacionais na Colônia, no Império e na República Velha), revoltas coloniais, período joanino, Independência e sistema de tratados desiguais, revoltas regenciais, Era Vargas, período militar. Há bastante cobrança de conhecimento factual e cronológico.
- Inglês – a gramática cobrada está, na maioria das vezes, disfarçada de interpretação de texto. Não acho que haja um método eficaz de estudar para a prova que não seja o conhecimento da língua, a leitura de textos em Inglês etc. Fiz um curso preparatório de Inglês, mas visando à terceira fase, e não acho que tenha me ajudado em nada para a primeira. Não li textos, não li notícias, não estudei gramática, não fiz nada para a prova de Inglês, só fui lá e fiz. Se você tem dificuldades com o idioma, não perca tempo, pois o peso dessa matéria na quantidade total de questões da primeira fase é bastante elevado.
- História Mundial – a prova de 2011 teve algumas questões bastante loucas, e minha “técnica” de chutes foi a salvação. Acertei questões inteiras no chute (até parece que eu sabia alguma coisa de historiografia alemã), então minha dica é: não se desespere com esses conteúdos absurdos que caem vez ou outra. Por mais que você estude, é bem provável que caiam coisas absurdas na prova da primeira fase, quando você fizer o concurso. Ao invés de perder tempo, estudando esses conteúdos absurdos, acho que é mais fácil chegar à prova seguro dos conteúdos básicos, ir bem nas questões que não são absurdas e, eventualmente, chutar ou deixar em branco as questões loucas. Como já disse, em meu caso, chutei todas as absurdas e tive saldo positivo no final. Isso fica a critério de cada um.
- Política Internacional, Geografia, Economia, Direito – essas provas variam tanto de um ano para o outro que não sei nem o que comentar. O melhor é, mesmo, fazer as provas antigas, para ver como são na prática
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2020.06.05 15:52 Luguimon Sobre livros, eBooks e as desculpas para não ler

Sobre livros, eBooks e as desculpas para não ler
foto da tela inicial do meu eReader
Com certeza você já ouviu frases como “Eu odeio ler!”, “Já tentei ler, mas achei muito chato.”, “Não tenho tempo nem paciência pra ler.”, “Prefiro áudios.”. E sobre eBooks já deve ter ouvido “Nada substitui um livro impresso.”, “Ler na tela do celular é horrível, pois cansa meus olhos.”, “Nunca vou me acostumar com livros digitais.”. A maioria dessas afirmações não passam de desculpas. É isso mesmo. Simples desculpas.
Vamos trabalhar com números. Em 2016 foi divulgada uma pesquisa que constatou que o tempo médio de uso do smartphone por brasileiros é de 4h48min. Estamos em primeiro lugar. O segundo colocado é o chinês, com 3h03min. Somos os campeões na categoria “viciados em smartphones”. Um título amargo. Mas o que isso significa?
Supondo que metade desse tempo (e esse é um chute alto) seja gasto com vídeos e áudios (ligações, músicas, podcasts e áudios de aplicativos de mensagens), ainda nos restam 2h24min. Um leitor que tenha um hábito diário lê aproximadamente 300 palavras por minuto. Em média, 60% do conteúdo é compreendido e retido pelo cérebro na primeira leitura, no caso de um leitor diário.
Acreditando que uma pessoa comum lê em média 150 palavras por minuto, isso quer dizer que ela lê em média 21.600 palavras por dia somente na tela de um smartphone ou tablet. Se esse número não te surpreendeu, te dou outro. A Amazon identificou que a média de palavras entre todos os livros do seu catálogo é de 64.500. Você já lê 1/3 de um livro por dia sem se dar conta.
Ninguém odeia ler. Você lê diariamente. Uma placa de ônibus, um cardápio, uma mensagem de um amigo. Você odeia algum livro chato que te obrigaram a ler em algum momento da sua vida, geralmente na escola (mestres em criar o ódio pela leitura) e deduziu ingenuamente que todos os livros são chatos. Bom, agora me permito parafrasear o Prof. Pierluigi Piazzi, o melhor professor que já tive sem nunca ter frequentado nenhuma de suas aulas. Ele dizia mais ou menos o seguinte em todas as suas palestras: foram escritos milhões de livros, um deles foi escrito pra você e só você pode descobrir que livro é esse, e quando você abre a porteira, não passa só um boi, passa a boiada. O livro que me “abriu a porteira” foi Um Estudo em Vermelho, de Sir Arthur Conan Doyle, primeira aventura de Sherlock Holmes. Devorei o livro em mais ou menos 3 dias. Eu não sei qual é o seu livro, mas eu sei que ele existe.
Você tem, sim, tempo para ler. Você lê em média 150 palavras por minuto. Um livro em média tem 500 palavras por página. Em 4 ou 5 minutos você lê uma página de um livro de ficção não muito complexo.
Quantos capítulos de um áudio-livro você escuta por dia? Nem todos os livros que você gostaria de ler tem uma versão em áudio. E se você não for do tipo de pessoa que tem uma memória auditiva elevada, dificilmente conseguirá compreender e reter o conteúdo de maneira satisfatória na primeira vez que escutar um capítulo. Isso significa que você demoraria no mínimo o dobro do tempo para compreender um capítulo do mesmo livro. Eu acho que é melhor ler. E você?
Concordo que nada substitui o livro impresso e a ciência já comprovou que ler em papel é mais eficaz com relação a tempo de leitura (duração), compreensão e retenção de conteúdo. Isso porque nossos olhos funcionam com captação de luz. Os bastonetes da retina se cansam facilmente. Ler um texto num suporte que reflita luz (papel) é muito melhor e menos cansativo para os olhos do que ler num suporte que emita luz (tela do smartphone). Porém, a compreensão e retenção de conteúdo de um texto está muito mais relacionada ao seu grau de interesse pelo assunto do que com o suporte no qual ele se encontra. Você lembra do que conversou com seus amigos pelo WhatsApp. Você lembra daquela notícia que leu naquele site que gosta. Entendeu? O processo de retenção é muito mais um fenômeno emocional do que um fenômeno físico.
Por conta da exaustão visual causada por telas que emitem luz foi que a Amazon desenvolveu o eReader Kindle, leitor digital que possui uma tela que não emite luz, graças à tecnologia chamada e-Ink (Tinta Eletrônica). Atualmente essa tecnologia só produz telas com imagens em preto e branco com um touch screen menos ágil, mas para ler um livro já está ótimo. Eu possuo um eReader (não o Kindle) e posso garantir que é como se estivesse lendo em papel. Fora que no meu aparelho já tenho mais de 500 títulos dos mais variados gêneros, tudo num equipamento pouco maior que meu smartphone e mais leve, com uma bateria que dura fácil uns 30 dias, pois uma tela que não emite luz não consome tanta energia.
Se acostumar com um eReader é relativamente muito fácil. Ele cabe onde um livro comum não caberia, podendo ser levado para praticamente todos os lugares e alguns modelos já são a prova d’água, então realmente não existem desculpas.
Você com certeza tem pelo menos 15 minutos por dia de ócio: ônibus, metrô, táxi, Uber, intervalo entre aulas, horário de almoço, etc. Muito mais que 15 minutos na verdade, não concorda? Vai deixar a aquisição de conhecimento quando aposentar? Não seja idiota!
Descubra o mais rápido possível qual é o livro que foi escrito para você. Vá a uma biblioteca, sebo ou livraria e comece a ler um livro que te chame a atenção. Ficou chato? Pare e pegue outro livro. Não se sinta mal por isso, pois sua tarefa não é terminar um livro, mas sim descobrir qual é o seu livro, aquele gênero literário que girará a chave no seu cérebro para despertar o prazer pela leitura. Depois desse livro o hábito é consequência.
E você acaba de ler mil palavras.
Luiz Guilherme de Castro Nascimento
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2020.03.29 15:26 Izzenw Resumo da Live de ontem com o Board Executivo da XP e com o PAULINHO SENPAI <3

Resumo Webinar Paulo Guedes com XP
Principais pontos: • Esforço enorme em mostrar que equipe econômica está fazendo tudo o que é necessário para este momento de crise, sempre com cuidado para não criar gastos permanentes.
• Fala convicta de que não há discussão alguma sobre sua saída e que relação com Congresso continua boa. “Sair? Conversa fiada total! Não vou sair. Estamos combatendo um meteoro. Como que eu vou deixar o país nesse momento?”
• Algumas das cias citadas: - Vale e Ambev doando testes de coronavírus - Stone e PagSeguro serão canal para as políticas para pequeno e microempreendedor - Banco do Brasil tem acionistas minoritários e não pode fazer o que Caixa e BNDES fazem - Azul e outras aéreas precisam de ponte de liquidez neste momento, foi o que Warren Buffet fez com Goldman Sachs em 2008
Notas detalhadas: • Impacto será forte, mas no Brasil estamos em posições diferentes do ciclo vs outros países. Mundo era um avião pousando, e COVID-19 acelerou isso. Nós não, nós estávamos em aceleração econômica, 1Q20 estava girando a quase 3% de crescimento de PIB (arrecadação 20% acima do esperado) quando chegou o vírus.
• Nossa primeira reação foi infraconstitucional. Começamos pela liberação de compulsório. Atacamos rapidamente setor de saúde e outros setores-chave.
• Ia ser um trimestre excepcional com recuperação econômica e reformas caminhando no Congresso, tudo já estava combinado e negociado.
• Vimos a seriedade da crise e trouxemos a discussão no dia da pauta-bomba do BPC. Naquele dia, Mandetta nos explicou a gravidade que a crise teria.
• Primeiras medidas foram essas: liberação de compulsório para bancos proverem liquidez às empresas e liberação de recursos ao Mandetta. Injetamos muitos recursos logo nesse primeiro momento.
• Por outro lado, não podemos nos esquecer da Lei de Responsabilidade Fiscal, não podemos criar despesas novas. O que fizemos foi postergação de impostos e antecipação abono salarial e benefícios a aposentados. Tudo infraconstitucional.
• Todas as reformas estavam caminhando muito bem, todos os relatores muito animados. Clima era interessante. Não sem fricção política, como de costume, mas caminhando. Em meio a isso, fomos atingidos por essa onda de fora.
• Liberamos compulsório (R$200b), empréstimos de BNDES e Caixa (R$150b) e fizemos diferimentos/antecipações (R$150b). No total, tudo isso significa R$500b de liquidez a mais na economia. Além disso, auxílio a informais (R$50b) e empréstimos de folha de pagamento (R$50b).
• Fila do Bolsa Família cresce em ano eleitoral. Neste ambiente, decidimos colocar todo mundo pra dentro e depois vamos checar quem é fraude. No passado era o contrário: demorávamos a aprovar.
• Ninguém é contra transferência de renda para os mais frágeis, somos contra benefícios perversos. De repente, trabalhadores, autônomos foram pegos de surpresa.
• 38m de brasileiros terão direito a R$600/mês.
• Nós, governo, vamos ajudar as pequenas empresas. Vamos complementar parcela de salário que empresas não puderem pagar.
• Além disso, estamos fazendo empréstimo na folha salarial. Isso evita o empoçamento de liquidez que estava acontecendo nos bancos após liberação de compulsório.
• Teremos um déficit extraordinário, mas não tem problema. Não podemos deixar os brasileiros para trás nesse momento.
• O pacote atual é de ~R$750b, e ele pode aumentar se for necessário.
• Não podemos esquecer nossas conquistas. Corrigimos gasto público, baixamos juros, fizemos reforma da previdência, desalavancamos banco públicos. Tudo isso destrava investimentos.
• No fim, todo mundo vai entender que gastamos muito, mas fizemos o que era necessário. Nós vamos pagar isso, não vamos deixar isso para gerações futuras. Não haverá mais endividamento em bola de neve.
• Vamos gastar 4,8-5,0% do PIB esse ano.
• Equipe está focada, presidente está focado. Estamos em uma democracia. Perfeitamente normal que presidente faça um alerta. Preocupação legítima. Passada a primeira onda da saúde, pode vir a segunda, econômica. Em democracia, todo mundo tem direito a opinião.
• Nosso Banco Central não pode interagir com setor real, só com bancos. Isso é um problema e será resolvido. O problema atual é esse, liberamos liquidez e ficou empoçado nos bancos.
• Tem 10-15 decisões relevantes a serem tomadas todo o dia. Exemplo: Mandetta pede pra bloquear exportação de máscara, 6 dias depois me falam que temos um problema diplomático com a Itália porque não mandamos mais máscara.
• Reclamam que eu não estou em Brasília, mas no Rio eu consigo fazer reunião por telefone, videoconferência. Eu morava em um hotel em Brasília. Recebi ligação dizendo que hotel seria fechado. Eu fui despejado! Tinha teste negativo do vírus, e vim pro Rio.
• Sair? Conversa fiada total! Não vou sair. Estamos combatendo um meteoro. Como que eu vou deixar o país nesse momento?
• Eu passei a aparecer menos porque estou trabalhando muito, 24h por dia. Tenho que escolher: ou faço reformas ou apareço. Quem anuncia é Roberto Campos, Pedro Guimarães, Solange Vieira. Eu estou trabalhando com todos.
• Nenhum brasileiro vai ficar para trás. É um gasto grande, mas é necessário.
• Temos interagido também com o setor real. Montamos 12 grupos de monitoramento e escutamos 190 entidades, das quais 103 enviaram pleitos, média de 7 pedidos cada um. Entidades representando companhias aéreas, bares e restaurantes etc. Analisamos esses 720 pedidos e separamos em 4 categorias: trabalhista, tributária, regulatória e disponibilidade de crédito. Estamos analisando tudo.
• Essas empresas de maquininha como PagSeguro e Stone estão ajudando os pequenos empreendedores e pequenas empresas, vão nos ajudar também. Estamos discutindo isso.
• Vamos ajudar quem mantem emprego. É a defesa da saúde e do emprego do brasileiro.
• Ponto de estrangulamento será os ventiladores pulmonares. Há 4 produtores no Brasil. Produzíamos 250/semana no Brasil. Passamos para 1000, mas precisamos de 1400/semana. Não é muito simples produzir. Nos EUA, GM prometeu produzir, depois viu que não conseguiria e Trump acabou tuitando contra a GM.
• Precisamos escalabilizar os testes. Se formos passar de isolamento horizontal para vertical mais para frente, isso será necessário.
• Empresas estão ajudando. Vale importou testes e testou funcionários. Ambev anunciou que vai comprar 1m de testes, usar 70k e doar o resto. XP poderia comprar testes também e nos ajudar.
• Calamidade pública é caso agudo de emergência fiscal. É temporário. Não podemos aprovar nenhuma medida permanente.
• Temos que destravar investimento. Em infraestrutura, saneamento, privatizações, cabotagem. Vamos dar um exemplo para o mundo.
• Temos democracia sólida. Muito barulho, discussão, o que é natural. Conseguimos aprovar reforma da previdência.
• Estamos em isolamento para conter a primeira onda, da saúde; mas não podemos esquecer da segunda onda. Daqui 4-5 meses, com reformas, juro baixo e câmbio mais alto; vamos dar exemplo de retomada para o mundo. Brasil está apontado para cima.
• Microempresário que interage com maquininha, vai ter que contactar pessoal da maquininha. Quem interage com banco, vai continuar assim. Mensagem ao empresário é: “não demita”.
• Salário de servidor público subiu acima da inflação nos últimos 17 anos. Conversávamos sobre como travar isso daqui pra frente. Demoramos muito, a ponto de chegar demanda da rua para redução de salário do funcionalismo público. Isso está sendo discutido. Existe também discussão de tributar mais as empresas grandes.
• Nâo me atraem essas medidas deflacionárias. Não acho que é momento de fazer isso. Acho mais construtivo ao país travar reajuste do funcionalismo público. Não podemos quebrar as duas pernas das grandes empresas.
• No início, ninguém tem dúvida que o isolamento é necessário. Mas é preciso encontrar um ponto ótimo para evitar colapso econômico. Eu não me arrisco em assuntos de saúde. Não há entendimento entre ministérios sobre duração do isolamento. Não entendo de saúde, mas no campo econômico, precisamos (i) manter safra agrícola, (ii) manter supermercados e farmácias funcionando. Se isso for feito podemos segurar o isolamento um pouco mais. Mas sobrevida econômica com lockdown total é curta. Não há consenso ainda. Saúde fala em necessidade de 3 meses; equipe econômica acha que empresas não sobrevivem mais de 2 meses. Precisamos discutir.
• BNDES e Caixa são 100% nossos, temo mais flexibilidade. Banco do Brasil tem acionista minoritário, é diferente.
• Precisamos dar uma ponte de liquidez para companhias aéreas como Azul. Warren Buffet fez isso com Goldman Sachs na crise de 2008.
• Vamos colocar dinheiro do Tesouro no crédito, mas bancos tem que ter skin in the game, risk-sharing.
• Tenho certeza absoluta de que vamos superar essa crise e sair melhores disso. Cada um de nós tem que ajudar.
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2019.01.23 17:37 Pablogelo Um destrinchamento do Ease of Doing Business Index 2019 do Brasil (Parte 1 / 2)

O que é o Ease of Doing Business Index?
O Índice é feito pelo Banco Mundial, feito baseado nesse paper científico de 2002, suas conclusões foram: "Countries with heavier regulation of entry have higher corruption and larger unofficial economies, but no better quality of public or private goods. Countries with more democratic and limited governments have lighter regulation of entry."
"Por que eu devo confiar num banco?"
O Banco Mundial, diferente de outros bancos privados que tem como objetivo o lucro apenas, é um instituição internacional financeira, com missão principal ser a redução de pobreza, tendo status de observador no Grupo de Desenvolvimento das Nações Unidas, por mais que haja críticas por coisas passadas, houve grande reformas em 89 que leva ao que temos dele hoje. Enfim, não é um banco privado qualquer.
Se é tão a favor do liberalismo assim por que não usar o índice de liberdade econômica?
O Índice de Liberdade Econômica é feito por um think-tank conservador norte-americano, seus critérios são péssimos para entendermos o quão boa a economia de um país pode ser, por comparação vejam aqui o mapa mundial de acordo com o Índice de Liberdade Econômica Onde se fosse por ele pensaríamos que países como a China e a França tem uma economia péssima e vejam o mapa mundial de acordo com o Ease of Doing Business Index (Mapa de 2016) onde dá pra entender muito melhor as nuâncias do quão bom/ruim está de cada país e um mapa que reflete melhor com a economia dos países. Além disso, os estudos são extremamente mais detalhados, como vocês verão a seguir.
Um último ponto, por que essa thread agora?
Eu já havia lido e conversado em sala de aula com os professores (estudo economia) sobre o Índice pois eu o acho interessante por si só, já que as vezes eu mesmo me perguntava: Eu sei que temos de melhorar, mas no quê em específico? Há de se haver cuidado em não procurar respostas fáceis também. Mas o que me moveu mesmo, foi esse comentário "A burocracia e os custos envolvidos para se ter um negócio legal são absurdamente altos criando uma barreira legal que impede pessoas em situações extremas de sair delas." É com as melhores das intenções que quero elucidar não só o que há de ser melhorado, porém destacar o que pode ser melhorado sem muita dificuldade se os políticos se empenharem. Também veremos que nem tudo cai só nas costas do governo federal, algumas cairão também no nível municipal. Peço perdão também pela demora de criar essa thread, que faz meses que estava no freezer.
Bem, vamos para os dados, para quem quiser acompanhar pelo PDF:
A partir de agora apenas usarei imagens.
Índice Geral
Vale salientar que devemos nos concentrar mais no ranking/posição do que na pontuação. De nada adianta pontuarmos 60 de 100, se há outros países com maior facilidade de fazer negócios e que com isso atrairão maior investimento estrangeiro. Posição 109 é péssima.
Por tópico
Analisarei 5 nessa primeira parte e 5 na próxima. Farei as duas partes nessa thread logo, já que já acordei e post ainda tá ativo. Não é apenas apontando os lados negativos que se faz a coisa, há de dar créditos quando fazemos algo certo também. Por mais que tenhamos péssimos pontos, fomos bons em 3 tópicos, conseguir eletricidade, proteger investidor minoritário e execução de contratos. Inclusive, de todos esses 10 tópicos que você estão vendo, apenas em 1 estamos na frente da China que é na proteção de investidor minoritário, por uma diferença de 16 posições. Em todos os outros, dá pra entender um dos motivos da China conseguir ter empresas bem sucedidas pipocando por aí, aliado a alta população.
Ah, uma coisa que esqueci de comentar, as cidades analisadas pelo ranking é o Rio de Janeiro e São Paulo, como é uma análise muito longa, é bem custosa e toma bastante tempo, então eles tem de se limitar a poucas cidades. De qualquer forma, veremos que muita coisa não varia entre as duas cidades pelo menos.
Prós: O custo é baixo comparado a média da América Latina e está na média dos países ricos, não há necessidade de alteração nisso.
Contras: Número de procedimentos e tempo levado é mais que o dobro de países ricos e na parte de número de procedimentos estamos pior que a média da América Latina. Um dos problemas nos procedimentos é fazer coisas que se fosse partilhado uma base de dados, aceleraria o processo, por exemplo, a pessoa leva 3 dias registrando na receita federal mas logo depois vai ter de pegar registro na secretaria municipal de finanças.
Uma de nossas piores posições das 10, só perdendo pra pagamento de impostos. (Spoiler: o problema não é a quantidade)
Prós: Baixo custo orçamentário, saindo mais barato até que nos países desenvolvidos, controle de qualidade daqui é bom, um pouquinho mais alto que a média da américa latina e um pouco pior que países desenvolvidos, mas não atrapalha na nota.
Contras: Pense o tempo médio da américa latina, que já não é um local tão bom assim para se começafazer negócios, agora dobre esse tempo, aumente 4 dias e você chega ao tempo que demora pra conseguir essa licença em média, 404 dias. A média em países desenvolvidos é de 153, isso anula completamente o nosso pró de ter baixo custo, pois o tempo que você está perdendo pra pegar a licença é tempo que você está deixando de ganhar dinheiro. Isso joga nossa posição lá pra baixo, qual de nossos procedimentos consome tanto tempo assim? Há alguns de 60 e 30 dias (mas lembre-se isso até seria normal numa certa quantidade, países desenvolvidos levam 150 dias). Mas UM único procedimento, conseguir aprovação de construção da prefeitura, consome 274 dias, mais do que a média da américa latina, apenas esse procedimento sozinho. Reduza-o para 2 meses e teríamos a média américa latina pelo menos. Porém boa sorte para resolver essa questão de municípios, já que deve ser uma boa forma de certas prefeituras conseguirem propinas com construtoras pagando pra acelerar o processo, etc. (Aí já estou especulando mesmo). Eu até falaria do número de procedimentos ser alto, mas sinceramente nossa nota vai tão pra baixo por conta do tempo que acho que nesse quesito nem vale a pena de reclamar da quantidade de burocracia de procedimentos. PS: No RJ é a mesma coisa que consome mais tempo, no caso, lá esse procedimento leva 365 dias.
Fico até feliz quando o Brasil faz algo certo. Essa é a nossa melhor posição, poderíamos olhar pro que fizemos de certo nessa.
Prós: Número de procedimentos em média com os países desenvolvidos, tempo melhor do que nos países desenvolvidos, custo EXTREMAMENTE mais baixo que em países da américa latina e mais baixo que em países desenvolvidos
Contras: Confiabilidade da oferta e transparência da tarifa poderia ser um pouco melhor, mas não está tão ruim assim, sinceramente há coisas pra se preocupar e essa não é uma delas no momento, o que fez perdemos nota nesse foi apenas a duração e quantidade de quedas de energia.
Dos 10 tópicos, esse é o nosso 3ª pior.
Prós: Novamente, nós temos um baixo custo, superando até os países desenvolvidos. Nosso problema de tempo não foi tão ruim assim igual no outro.
Contras: Novamente, o alto número de procedimentos, coisas que seriam muito mais fáceis se o estado como um todo tivesse uma base de dados compartilhadas (como um todo, pois algumas coisas são da justiça, outras do ministério da fazenda, outros da prefeitura, outros do estado, etc). O tempo poderia ser um pouco melhor e entrar na média dos países desenvolvidos se diminuíssem o número de procedimentos.
Um grande problema é o índice de qualidade da administração da terra, no qual dentro disso, as piores coisas que fomos são: 'Índice de cobertura da geografia'. (Página 43 quem quiser ver em detalhes) e Resolução de disputa de terras. Direito não é minha área então terei de abster de comentar isso pois tenho conhecimento 0.
Prós: Profundidade de informações em relação a crédito aqui é melhor que a média de países desenvolvidos, cobertura de registro de créditos é muito boa, bem melhor que a média de países desenvolvidos
Contras: Perdemos muita pontuação mesmo por conta do Índice de Força de Direitos Legais, mas no que em específico falhamos nesse índice? Por texto seria muito longo mencionar, vejam essa print, cada "Não" se perde um ponto, cada "Sim" se ganha um ponto, a pontuação vai de 0-12. Não precisa pontuar 12, vocês podem discordar de algumas, a média de países desenvolvidos mesmo tem uma pontuação 6. A questão é que conseguir mais uns 4 "Sim", seria de ajuda.
Analisados 5, por hoje é só, me cansei um pouco com isso e novamente eu peço perdão por não ter postado isso meses atrás, quando aquele comentário no brasil me deixou empenhado em publicar isso aqui... ACORDEI EDITAREI LOGO A PARTE 2 AQUI POIS TÁ MUITO PEQUENO ESSE POST:
Como disse, o único tópico que somos melhor do que a China
Prós: Temos uma pontuação muito boa nos Índices de 'extensão da responsabilidade do diretor', 'extensão da transparência de corporações', 'Extensão de direitos dos acionistas' e 'extensão de controle e propriedade' ao ponto que superam a média dos países desenvolvidos
Contras: Índices de 'Facilidade de ações de acionistas' e 'Extensão de divulgação' estão fracos, com o primeiro tendo uma nota pior que a média da américa latina. O motivo do segundo ter uma nota ruim é que apenas o CEO precisa aprovar uma compra e venda de empresas, deixando acionistas de fora da decisão. Na Ease of Shareholder, eu não sei explicar, coisa a ver com direito, se algum advogado ou estudante de direito quiser explicar, ficarei agradecido: A imagem dessa parte aqui A média de países desenvolvidos nisso é 7.3, então não precisam fazer uma nota 10 aí.
Chegamos neste, o pior tópico que o Brasil é.
Prós: Estou impressionado que tenhamos algum, mas olha só o número de pagamentos anuais até que é baixo.
Contras: Sim, o Brasil poderia ser menos custoso e facilitar? Poderia, mas sinceramente nossa nota não é péssima por causa disso e sim por causa desse tempo colossal, boa sorte para você pequeno empreendedor conseguir isso sem um contador. Pega o número de tempo médio na América Latina e MULTIPLICA POR 5, você ainda não chega ao tempo necessário para pagar impostos aqui no Brasil. Mas o que consome tanto tempo? Aqui Vocês tem dois procedimentos que mesmo onlines, acabam que eles por SI SÓ tem mais tempo que a média da américa latina, mas o grande vilão? Nosso ICMS, consumindo um montante de tempo 1161 horas. Isso quer dizer que uma reforma tributária que reduza esse tempo para vamos dizer 50 horas resolve nosso problema? Nope, o problema é tão grande que mesmo isso ajudando muito muito, ainda teríamos 847 horas pagando, mais que o dobro da américa latina. E sinceramente, eu não sou contador pra dizer o que poderia em si ser melhorado no IRPJ e INSS pra reduzir o tempo colossal que é consumido. O maior problema na nossa perda de nota no Postfiling Index é que não existe um processo de reembolso dos impostos (para caso ocorra algum problema na contadoria etc), yep, isso num índice de 0 a 100, não existir fez nossa nota cair muito, temos nota 7. Mas sinceramente seria um inferno pra mexer nos arquivos e ver o que é reembolsável nessa loucura de impostos que temos, talvez com uma reforma tributária se resolva tanto o tempo como o problema de não termos forma de reembolsar o imposto pago se tiver havido erro.
Prós: Eeeeeeeeer, algumas coisas estamos melhor que a média dos países da américa latina né...
Contras: O custo pela primeira vez se sobressai em relação ao tempo e se engana que seja só para importar, exportar também sofre desse problema e o que aumenta tanto ele é questões burocráticas, documentação e "Border Compliance" tanto na exportação quanto importação, que eu não sei como traduzir. O tempo poderia ser melhor? Porra como poderia, muitos países batem os recordes nesse tópico, tendo tempos e custos variando entre 1 e 0 respectivamente. Mas porra se pelo menos fosse algo como 8 e 8 ao invés de sei lá, 49 e 862, já estava ótimo. O que aumentou tanto o custo? Em algumas, o custo de transporte doméstico, acredito que é aí que peca não termos uma malha ferroviária decente. E 'Export: Port or border handling' aumentou bastante o custo e tempo, porém não entendi muito o que quer dizer então vou me abster.
Lá vai um garoto que ainda não teve a disciplina de direito econômico tentar explicar isso, peço desculpas por qualquer canelada e terei de ser mais simplista do que antes justamente pela falta de conhecimento
Prós: Nosso top 3 tópicos, eletricidade, proteger investidores minoritários e surpreendentemente algo relacionado a direito e justiça. Nossa qualidade do processo judicial e custo de execução dos contratos está melhor do que a média dos países desenvolvidos
Contras: Novamente, o tempo, um pouco melhor que a américa latina mas uma centena de dias pior que a média de países desenvolvidos. 'Trial and judgment' é o que mais consome tempo, 480 dias, a demora da justiça de sempre, o que fazer pra melhorar eu não faço ideia, não é minha área.
Prós: 'Strength of insolvency framework index' com nota melhor que a média dos países desenvolvidos e o custo tá entre a média de países da américa larina e países desenvolvidos, nem tão ruim nem tão bom.
Contras: 4 Anos pra resolver (quando resolve, pois pois pra cada 1 dólar investido, recuperamos 14 centavos ou 14% das firmas, enquanto a média em países desenvolvidos é de 70). Os motivos é uma burocracia doida que eu não sei analisar pra ser sincero, mas lembram das maiores dívidas da previdência? Muitos é de empresas grandes que já faliram, por isso as vezes é bom conseguir com que empresas consigam se recuperar. Vou deixar essa parte aqui, para quem quiser ler detalhadamente já que eu não soube analisar isso, AQUI
Bem, é isso, obrigado a todos que leram e os que comentam dando insights sobre esse grave problema nosso, que afeta micro-empreendedores, pois como meu amigo que mora num bairro distante e vem de uma família pobre, mas que a mãe dele tem um negócio de vender pamonha pra a maioria das padarias daqui de João Pessoa já me disse: "Se minha mãe tentasse regularizar tudo a gente faliria". E sinceramente, isso é uma tristeza grande, que eu espero que o Brasil possa um dia deixar apenas no passado
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2017.07.11 11:52 pica_foices Reitor da Universidade de Coimbra envia mensagem de condenação à estratrégia do Governo para a área da Ciência/Ensino Superior

---------- Forwarded message ----------
  • From: Reitoria da Universidade de Coimbra [email protected]
  • Date: 2017-07-11 9:17 GMT+01:00
  • Subject: [Estudantes UC] Emprego científico (Decreto-Lei nº 57/2016)
  • To: [email protected], [email protected], [email protected]
  • Perante a muito recente decisão do Presidente da República de promulgar as alterações parlamentares ao Decreto-Lei 57/2016, apesar de reconhecer que ele contém problemas graves ( http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=132753 ), entendi chegado o momento de partilhar com a comunidade da Universidade de Coimbra o que tenho vindo a transmitir aos órgãos da Universidade. No meu entendimento, as universidades portuguesas de direito público, como é o nosso caso, estão debaixo de um dos mais fortes ataques de que há memória na democracia portuguesa.
  • Na generalidade das universidades de investigação uma parte muito importante da receita vem do financiamento competitivo de projetos. Na Universidade de Coimbra, concretamente, obtém-se por essa via cerca de um quarto da receita. Os projetos de investigação em causa têm, por norma, dois a três anos de duração, sendo tipicamente executados por professores da universidade, estudantes de doutoramento e investigadores já doutorados. Estes últimos têm sido contratados através de bolsas pós-doc, pagas pelas verbas dos projetos, com uma duração igual à dos projetos.
  • O Decreto-Lei 57/2016 vem determinar que esses investigadores pós-doc devem passar a ter um contrato de trabalho a prazo, devendo as bolsas ser usadas apenas em algumas situações. É uma alteração que se saúda, pois é inteiramente justo que haja proteção social para os investigadores doutorados, algo que, de facto, as bolsas não garantem.
  • No entanto esse decreto tem problemas que podem parecer inverosímeis, de tão simples, mas que são reais e muito graves.
  • Em primeiro lugar, obriga a contratos de seis anos, mesmo que o projeto para o qual o investigador é contratado tenha apenas a duração de dois ou três anos. Como o dinheiro que paga esses contratos vem do projeto, isto quer dizer que, para os últimos três ou quatro anos do contrato, não existe dinheiro para pagar o salário do investigador, pois o projeto e o seu financiamento terminaram entretanto.
  • Esta imposição de uma duração de seis anos não abrange todos. Às instituições privadas e às universidades que adotaram o modelo de fundação é permitido continuar a fazer contratos apenas para a duração do projeto, o que está correto. Só as instituições de direito público, como é o caso da Universidade de Coimbra, são obrigadas a fazer contratos de seis anos, apesar de só terem verba para metade desse período.
  • Em segundo lugar, ao fim dos seis anos, este decreto obriga a que seja aberto um concurso para um lugar da carreira docente ou da carreira de investigação. Por esta via vai afinal ser necessário pagar um salário para a vida toda. Deste modo, aquilo que começou como um encargo, com financiamento assegurado, para dois ou três anos, torna-se uma obrigação para a vida, sem financiamento assegurado.
  • Para a Universidade de Coimbra, com o atual nível de atividade, isso significaria abrir cerca de 100 novos lugares de carreira em cada ano. Tendo em conta que se aposentam, em média, cerca de 25 professores por ano, e que o Estado cada vez dá menos dinheiro às universidades, é fácil de perceber que estamos perante um cenário insustentável. A esta situação acresce um efeito adicional de grande gravidade: a capacidade orçamental que tem permitido abrir alguns lugares de professor associado e catedrático desaparece, pelo que deixará de haver verbas para abrir concursos para esse efeito. Outro efeito é que a evolução da Universidade ficará profundamente enviesada, pois as áreas onde há menos projetos competitivos, como sejam as humanidades e as ciências sociais, ficarão sem capacidade para abrir novos concursos, mesmo para repor as aposentações, pelo que a renovação e mesmo a continuidade do corpo docente dessas áreas ficará altamente comprometida. É a própria sustentabilidade financeira da Universidade de Coimbra que fica em causa num horizonte próximo, pois nem o Governo nem o Parlamento se comprometeram com as elevadas verbas necessárias, apesar de repetidas chamadas de atenção nesse sentido.
  • Também aqui as instituições de direito público são negativamente discriminadas, pois às instituições privadas e às universidades em regime fundacional o diploma não impõe a obrigação de abertura de concursos para a carreira.
  • Este não é só um efeito para futuro: como o Decreto-Lei 57/2016 introduz obrigatoriedade de abrir desde já concursos a que possam concorrer todos os bolseiros pós-doc que tenham já tido bolsa pelo menos três anos, e os contratos resultantes têm de ser de seis anos (novamente, só para as instituições de direito público) o compromisso de vir a abrir lugares para a carreira é assumido desde já. Esta obrigatoriedade é válida mesmo que a bolsa pós-doc tenha sido atribuída pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT): basta que a universidade seja a instituição de acolhimento. Isto é, uma candidatura a uma bolsa que nem pela Universidade passou gera para esta uma obrigação de abrir um concurso para uma área científica que pode nem ser a mais carenciada, e obriga a assumir um compromisso financeiro para toda a vida, sem qualquer garantia de financiamento.
  • Em terceiro lugar, contratar um investigador doutorado pelo regime do Decreto-Lei 57/2016, que introduz também um aumento salarial elevado em relação às bolsas pos-doc, vai custar quase o dobro a quem contrata. Como os orçamentos não aumentam, o efeito é simples: haverá muito menos investigadores contratados, gerando menos oportunidades aos novos doutorados de entrarem no sistema científico. Nesta questão não há distinção entre instituições de direito público e de direito privado: vão todas ser afetadas.
  • O Decreto-Lei 57/2016 encarrega a Fundação para a Ciência e Tecnologia de pagar uma parte dos encargos, mas apenas na primeira fase de aplicação do decreto. A FCT paga o primeiro contrato, caso o vencedor do concurso seja um anterior bolseiro da FCT, ou apenas parte desse contrato se o vencedor não for um anterior bolseiro da FCT, podendo nem pagar nada se nenhum anterior bolseiro da FCT estiver envolvido. É útil, mas não muda nada de relevante no cenário já descrito.
  • Desde a publicação da primeira versão do diploma, foram muitas as iniciativas das universidades públicas, através do Conselho de Reitores, junto dos deputados, da Assembleia da Republica, dos partidos políticos, do Governo e do próprio Presidente da República, na tentativa de resolver estes problemas, o que não se conseguiu. Foi por essa razão que nenhuma Universidade abriu ainda qualquer concurso ao abrigo do Decreto-Lei 57/2016.
  • Agora, com a eminente publicação da nova versão deste decreto, a Universidade de Coimbra já iniciou os procedimentos para, dentro dos prazos legais, abrir os concursos que a lei determina.
  • Ficará registado quem foram os autores do mais grave atentado contra a escola pública, de direito público, em toda a democracia portuguesa. Esta incrível discriminação vai levar à transferência muito rápida da investigação científica em Portugal para instituições de direito privado, uma vez que ela fica praticamente inviável nas instituições de direito público.
  • Pela minha parte, continuarei a lutar indefetivelmente pela universidade pública, de direito público, e pela reversão da discriminação a que ela está a ser sujeita.
  • Saudações universitárias João Gabriel Silva Reitor
  • A versão inicial do Decreto-Lei 57/2016 pode ser consultada em: http://data.dre.pt/eli/dec-lei/57/2016/08/29/p/dre/pt/html
  • As alterações introduzidas pelo parlamento podem ser consultadas em: http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentaPaginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=40635 (ver a ligação "Texto Final")
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